Nesta ocasião, o programa Verão Cá Dentro da RTP Madeira recebeu Dina Aveiro, Chefe da Divisão de Acompanhamento Educativo Especializado.
As Perturbações do Neurodesenvolvimento, pela sua elevada e crescente frequência, cronicidade, complexidade e especificidade, carecem de uma organização do acompanhamento educativo especializado, de forma estruturada e adaptada às necessidades atuais. Estudos internacionais indicam que nos países desenvolvidos as perturbações do neurodesenvolvimento afetam cerca de 15% das crianças e adolescentes em algum momento da sua vida, sendo que destes, uma percentagem significativa apresenta um carácter crónico, carecendo de cuidados de índole diversa a longo prazo.
Também, na RAM, se regista um aumento de sinalizações às equipas de Intervenção Precoce na Infância e o aumento relativo a situações clínicas que se expressam como alterações do desenvolvimento, à semelhança do que se passa não só no restante território nacional, mas também noutros países. Por exemplo, “nos Estados Unidos da América (EUA), a prevalência de condições crónicas relacionadas com doença ‘física’ diminuiu 11,8% entre 2001 e 2011, enquanto as associadas com problemas de neurodesenvolvimento e de saúde mental aumentaram 20,9%. Neste domínio, regista-se o aumento do diagnóstico dos problemas de linguagem e de aprendizagem, da perturbação do desenvolvimento intelectual, da perturbação do espetro do autismo, e do défice de atenção e hiperatividade, entre outros problemas de comportamento e emocionais.” (Oliveira et al., 2020). A nível nacional, Portugal vem incorporando esta realidade. “Em dez anos (2007 a 2017), o número total de consultas hospitalares de Pediatria do Neurodesenvolvimento aumentou de 38 2384 para 99 815, o que representa quase o triplo.” (Oliveira et al.,2020).
As Perturbações do Neurodesenvolvimento, pela sua incidência e pelo impacto que têm nas crianças e nos seus pais, devem ser avaliadas correta e atempadamente para que se possa iniciar uma intervenção precoce de qualidade. É igualmente importante acautelar que esta é uma complexa área, que se manifesta na idade pediátrica, mas que, na maioria dos casos, permanecerá e continuará a necessitar de cuidados de saúde e psicossociais na idade adulta. Reconhecendo estas circunstâncias e a correspondente necessidade de formação e atualização cientificamente fundamentadas neste domínio, consideramos fulcral investir na capacitação dos profissionais envolvidos.
Pelo exposto, nos dias 3 e 4 de julho, a Secretaria Regional de Educação, Ciência e Tecnologia, através da Direção Regional de Educação, organiza o II Seminário Perturbações do Neurodesenvolvimento, desafios e oportunidades para as escolas, na Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos Dr. Horácio Bento de Gouveia. Esta iniciativa da Divisão de Acompanhamento Educativo Especializado/Centro de Recursos Educativos Especializados Intervenção Precoce na Infância (CREEIPI) pretende proporcionar um momento de partilha, de reflexão e de capacitação dos profissionais, baseada em fundamentação e investigação científica, sobre as perturbações do neurodesenvolvimento e para isso contará com a presença e participação de oradores convidados, nomeadamente, Ana Catarina Prior, pediatra do neurodesenvolvimento do Centro Materno-Infantil do Norte, Miguel Castelo Branco, neurocientista, diretor do Centro de Imagem Biomédica e Investigação Translacional (CIBIT), Rita Limede, psicóloga do Centro de Investigação em estudos da criança do Instituto de Educação da Universidade do Minho, Mónica Vasconcelos, médica especialista em pediatria, Patrícia Pascoal, psicóloga, professora da Universidade Lusófona, Glória Franco e Maria João Beja, psicólogas, professoras da Universidade da Madeira, entre outros profissionais que constituem as equipas da educação e saúde que intervém na área da intervenção precoce na Infância.
Assista ao programa (min.18') AQUI.