O Instituto das Florestas e Conservação da Natureza, IP-RAM (IFCN, IP-RAM) está a desenvolver um estudo aprofundado sobre a vitalidade do Dragoeiro da Madeira (Dracaena draco), uma das espécies mais emblemáticas da Macaronésia. A iniciativa decorre no âmbito das competências de Fitossanidade Florestal do instituto e conta com o apoio técnico-científico da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e do Instituto Superior de Agronomia, através do Centro de Ecologia Aplicada Professor Baeta Neves.
O projeto pretende reforçar a prevenção e garantir a deteção precoce de pragas e doenças que possam comprometer a continuidade da espécie nas ilhas da Madeira e do Porto Santo. Para tal, está a ser realizado um inventário rigoroso que já contabilizou mais de 300 exemplares de dragoeiros nos 11 concelhos da Região Autónoma da Madeira.
Para cada árvore analisada, os técnicos recolhem variáveis como medições dendrométricas (medições físicas como altura), condições ambientais (vento e humidade), tipologia do espaço e solo, vitalidade da copa, presença de agentes patogénicos, coexistência com outras espécies arbóreas e registos fotográficos sistemáticos.
Os primeiros resultados evidenciam que a vitalidade do dragoeiro é moldada por um conjunto complexo de fatores ambientais e biológicos. Elementos como a altura da árvore, a coabitação com outras espécies, os regimes de vento e humidade e até a presença de pragas e doenças influenciam de forma significativa o comportamento e a saúde destes exemplares. A presença de agentes patogénicos (pragas e doenças) também não é displicente para a vitalidade observada.
Segundo o IFCN, esta diversidade de interações abre portas a “infinitas possibilidades e combinações”, sublinhando a relevância de aprofundar a investigação para identificar os fatores-chave que promovem a conservação desta espécie icónica na Madeira e no Porto Santo.
Passo determinante para preservação desta espécie
O Secretário Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, destaca a importância deste trabalho, referindo que “o dragoeiro é uma das espécies mais simbólicas da Macaronésia e um património natural de enorme valor para a Região. Este estudo representa um passo determinante para garantirmos que a espécie continua a prosperar no nosso território.”
Sublinha ainda que este tipo de investigação é essencial para antecipar riscos:“ao compreendermos melhor as condições que influenciam a vitalidade do dragoeiro, conseguimos agir de forma preventiva e mais eficaz. Estamos a construir conhecimento que permitirá proteger esta espécie com bases científicas sólidas.”
Eduardo Jesus reforça também o compromisso ambiental do Governo Regional. “Preservar o dragoeiro é preservar um símbolo identitário da Madeira. Este projeto demonstra bem o empenho do Governo Regional em proteger e valorizar o nosso património natural, garantindo a sua continuidade para as gerações futuras”, acrescenta.
O estudo vai continuar nos próximos meses, com o objetivo de elaborar modelos de avaliação e definir estratégias de conservação que assegurem a proteção contínua desta espécie emblemática da Região.