No dia 2 de fevereiro de 2026, o Auditório do Centro das Artes – Casa das Mudas, na Calheta, acolheu a cerimónia comemorativa do Dia do Corpo de Vigilantes da Natureza da Região Autónoma da Madeira, uma data que assinala o reconhecimento público do papel fundamental desempenhado por estes profissionais na proteção e conservação do património natural do arquipélago.
A sessão contou com a presença do Presidente do Governo Regional, do Secretário Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, do Presidente e Vogais do Instituto das Florestas e Conservação da Natureza (IFCN, IP-RAM), do Corpo de Vigilantes da Natureza, bem como de diversas entidades regionais e locais, representantes de organismos públicos, forças de segurança, autoridades marítimas e militares, instituições académicas e parceiros na área da proteção civil e do ambiente.
O Dia Nacional do Vigilante da Natureza celebra-se a 2 de fevereiro, sendo a Região Autónoma da Madeira pioneira, em Portugal, na aprovação de um regime legal específico para a carreira especial de Vigilante da Natureza, concretizado em 2021. O Corpo de Vigilantes da Natureza da RAM constitui um serviço auxiliar de polícia, com competências de vigilância, fiscalização e conservação do ambiente e dos recursos naturais, nos termos da legislação em vigor. Desempenha ainda funções relevantes na verificação de infrações ambientais, na elaboração de autos de notícia, na prevenção e deteção de incêndios florestais e rurais, na colaboração em ações de combate, bem como no apoio à proteção civil em áreas protegidas e zonas de intervenção, sendo reconhecido como Agente de Proteção Civil.
Para além destas atribuições, os Vigilantes da Natureza desenvolvem um trabalho de proximidade com a população, promovendo a sensibilização para as boas práticas ambientais e a salvaguarda da biogeodiversidade, participando na recolha e encaminhamento de animais selvagens e apoiando comunidades locais em situações de emergência. O primeiro estatuto do Corpo de Vigilantes da Natureza na Madeira remonta a 1993, sendo atualmente composto por 42 elementos, dos quais 40 se encontram no ativo.
Trata-se de uma equipa multidisciplinar, preparada para cumprir missões que se estendem “do vale à montanha e do mar à serra”. Os Vigilantes asseguram a vigilância e fiscalização diária das áreas protegidas terrestres e marinhas da Região, com presença permanente nas reservas naturais das Ilhas Selvagens e das Ilhas Desertas. Paralelamente, prestam apoio técnico e logístico a projetos de conservação da natureza, nomeadamente os dedicados a espécies emblemáticas e sensíveis, como a Freira-da-madeira, a Freira-do-bugio e o Lobo-marinho.
Durante a cerimónia, o Presidente do IFCN, Manuel Filipe, enalteceu o forte espírito de missão que caracteriza os 42 Vigilantes da Natureza, destacando a dedicação, o profissionalismo e a capacidade de atuação em contextos exigentes e muitas vezes de grande isolamento. Por sua vez, o Presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, agradeceu o trabalho crucial desenvolvido por este corpo na conservação da natureza, sublinhando igualmente o contributo relevante que os Vigilantes da Natureza têm vindo a dar ao programa Madeira UpGrade, recentemente aprovado, e que reforça a aposta estratégica da Região na sustentabilidade e na valorização ambiental.