Pelo primeiro ano, abriram, em algumas escolas da Madeira, os cursos de Educação e Formação de Adultos, vulgarmente conhecidos como cursos EFA. Estes cursos, que têm como um dos princípios subjacentes o reconhecimento efectivo de aprendizagens e competências adquiridas experiencialmente ao longo da vida do adulto, representam, para a população adulta, mais uma oferta educativa e formativa, para além do ensino recorrente, que permitirá elevar as suas qualificações.
Encontra-se ultrapassada, pelo menos em teoria, a conceção de alfabetização que se reduz ao ensino-aprendizagem da leitura, escrita e cálculo. Mais do que aprender a ler, escrever e contar, pretende-se que os adultos utilizem, conservem e desenvolvam as competências básicas de leitura, escrita e cálculo ao longo da vida. Pretende-se, ainda que na alfabetização, o adulto encontre uma ferramenta que o ajude a movimentar-se de forma autónoma e consciente na sociedade e a participar ativamente na comunidade em que está inserido.
Se, nas sociedades de tradição oral, a capacidade para ler e escrever era irrelevante, nas sociedades letradas, como a nossa, a iniciação de um código de comunicação através da aquisição de competências básicas de leitura e escrita constitui o primeiro patamar da educação básica e a possibilidade de ingressar no sistema de ensino. No caso do sistema educativo português, é através do 1º Ciclo do Ensino Básico Recorrente que os adultos, que na sua infância por qualquer razão não adquiriram as competências básicas de leitura, escrita e cálculo, podem ser alfabetizados.
Os adultos que estão a adquirir, a desenvolver ou a consolidar as competências de leitura e escrita nestes cursos, são pessoas que aprenderam fazendo e retirando ilações da vida, uma aprendizagem que passou pela vida invés dos livros. A estes adultos, em especial os mais idosos, é-lhes reconhecido o saber da cultura popular, uma cultura predominantemente oral que se manifesta através do folclore, dos provérbios, dos contos, dos cantos, das lendas, dos jogos e das festas tradicionais, um saber guardado na memória em lugar dos livros.
Efetivamente, estes adultos sabem organizar-se na sua vida prática e formular juízos acerca de assuntos do seu interesse. Têm a sua arte, o seu saber e a sua pedagogia. Receberam, via familiar e comunitária, uma educação enfim, um conhecimento do mundo que os professores sabiamente utilizam como ponto de partida na sua prática educativa, dentro e fora da sala de aula. Predominantemente, senão quase exclusivamente, realizado com o contributo de alunos e professores do 1º Ciclo do Ensino Básico Recorrente, O Mensageiro do Recorrente, vem publicando, desde o primeiro número, uma pequena amostra de projetos, atividades extracurriculares, visitas de estudo e textos dos alunos sobre variadas temáticas exploradas nos cursos.