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N.º 60 [Re] Inventar a Educação

Janeiro a junho de 2022 04-08-2022 Direção Regional de Educação
N.º 60 [Re] Inventar a Educação

Este número da Revista Diversidades, com a temática sobre “[Re] Inventar a Educação” surge ainda num contexto marcado pelas implicações, oportunidades e desafios decorrentes desta experiência pandémica e da pertinência e “urgência” de “Pensar o Futuro”, da evidente necessidade de mudar/transformar o modelo educativo atual, presente, implementado e concretizado nas escolas, para que os alunos possam enfrentar, “com garantias” o futuro que os espera.

É necessário continuar a repensar o papel da escola, pois “hoje vivemos num mundo e numa sociedade qualitativamente muito diferente daquela que conhecíamos no final do século XX” e isso “deve obrigar-nos a repensar e, inclusivamente, reinventar este grande projeto político nacional que é a educação pública da cidadania democrática”. Cada vez mais, o conhecimento está em “todo o lado” e acessível a todos, pelo que é essencial reinventar o papel daqueles que o transmitiam aos alunos, ou seja, dos professores. Sabendo-se que “o professor é considerado o principal fator extrínseco ao aluno que determina a sua aprendizagem e o seu sucesso escolar”, estes têm de tornar-se a verdadeira “força motriz” que potencia o talento dos seus alunos e otimiza as condições de aprendizagem.

Se a curiosidade, a criatividade, a ousadia, o desconcertante questionamento, o desejo de conhecer, a criação artística estão quase que inscritos na natureza do ser humano, é talvez decisivo perguntar: o que fazemos com as crianças nos espaços educativos, nas salas de aulas, nas escolas para que estas vão perdendo estas inquietudes, estas manifestações quando progressivamente se tornam mais adultas.

O recente relatório apresentado pela UNESCO, corrobora a ideia de que, atualmente, a educação precisa de ser efetivamente reinventada: numa época repleta de desafios e incertezas são necessárias novas políticas de educação. É fundamental apostar no desenvolvimento universal e inclusivo das competências dos membros da comunidade escolar, promovendo a colaboração num contexto de futuro digital, valorizando a solidariedade e a cidadania e mobilizando recursos, ferramentas e soluções que permitam o acompanhamento personalizado de cada aluno.

Fica, portanto, o desafio de uma “reflexão” sobre esta questão: “Precisa a escola de ser reinventada?” Pode-se, desde já, afirmar que “o contexto pandémico recente teve, curiosamente, efeitos paradoxais no que diz respeito ao nosso olhar sobre a escola. Ficaram mais claras as potencialidades subjacentes ao recurso às tecnologias digitais e às atividades de ensino a distância, mas ficaram, também, à vista as suas limitações e a riqueza resultante da interação presencial entre alunos e entre estes e os professores. Na verdade, a escola é, como sempre foi, para além de um contexto de aprendizagem, um lugar de socialização e de integração. Cada vez mais se torna necessário que seja um espaço de inclusão e de cidadania. A pandemia permitiu-nos revalorizar a escola, mas também acentuou a necessidade de uma escola diferente”.

Precisamos todos de contribuir para esta “metamorfose da escola”.

 

Marco Gomes 

Diretor Regional de Educação